segunda-feira, junho 21, 2010
domingo, junho 20, 2010
A Casa
a casa...
a mesma casa
passaram-se muitos anos
e suas paredes continuam resistindo
nelas há risos, lágrimas...
palavras dóceis, agressivas...
que bom que eu as sei como paredes
- tijolo, cimento, areia, brita -, mãos, suor, gestos, frases...
histórias que elas não podem contar
cenário imóvel, mas determinante
para a construção e desconstrução de seus personagens
eu já não sou o mesmo...
mas continuo a habitá-la
os móveis não mais se alegram com polidor
a cerâmica está desbotada
os tacos já não trazem nem vestígios da vida que tiveram
sobre eles a sombra dos passos de todos aqueles que por aqui passaram
e eu continuo a habitá-la
cada dia que passa ela se torna maior
e eu me sinto mais sufocado
suas paredes camuflam uma falsa alegria
quando são revestidas de uma nova cor
mas meus olhos vêem por detrás da tinta
eu as vejo como foram outrora
o prato, com seu esmalte descascado, hoje serve como tampa de panela
o vazio dos quartos trazem as vozes dos que o habitaram
a televisão de hoje é em cores
mas trás as mesmas imagens da tv em duas cores revestida de madeira
as refeições de domingo
já não tem o mesmo sabor, mesmo sendo as mesmas
(talvez seja por isso)
mas quando é um novo sabor que pousa sobre o prato
o prazer é momentâneo
pois tudo continua o mesmo
a mesma casa
a casa...
Lederson Nascimento.
a mesma casa
passaram-se muitos anos
e suas paredes continuam resistindo
nelas há risos, lágrimas...
palavras dóceis, agressivas...
que bom que eu as sei como paredes
- tijolo, cimento, areia, brita -, mãos, suor, gestos, frases...
histórias que elas não podem contar
cenário imóvel, mas determinante
para a construção e desconstrução de seus personagens
eu já não sou o mesmo...
mas continuo a habitá-la
os móveis não mais se alegram com polidor
a cerâmica está desbotada
os tacos já não trazem nem vestígios da vida que tiveram
sobre eles a sombra dos passos de todos aqueles que por aqui passaram
e eu continuo a habitá-la
cada dia que passa ela se torna maior
e eu me sinto mais sufocado
suas paredes camuflam uma falsa alegria
quando são revestidas de uma nova cor
mas meus olhos vêem por detrás da tinta
eu as vejo como foram outrora
o prato, com seu esmalte descascado, hoje serve como tampa de panela
o vazio dos quartos trazem as vozes dos que o habitaram
a televisão de hoje é em cores
mas trás as mesmas imagens da tv em duas cores revestida de madeira
as refeições de domingo
já não tem o mesmo sabor, mesmo sendo as mesmas
(talvez seja por isso)
mas quando é um novo sabor que pousa sobre o prato
o prazer é momentâneo
pois tudo continua o mesmo
a mesma casa
a casa...
Lederson Nascimento.


