Nostalgia
1. SAUDADE
2. Estado melancólico causado pela falta de algo.
3. Dor do retorno, do regresso.
4. Saudades de algo, de um estado, de uma forma de existência que se deixou de ter; desejo de voltar ao passado.
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Quem nunca sentiu saudade de algo? Aquela saudade que vai do sentimento à dor física, que nos faz voltar a outras épocas e confere cores diversas a um evento, lugar ou pessoa, bem diversas do que aquelas que eles realmente tinham.
Dizem que o afastamento permite uma abordagem mais objetiva, mas quando o afastamento é temporal e não espacial, a subjetividade entra em cena e toma as rédeas da nossa mente. Por isso são comuns idealizações de tempos outros, de pessoas que não mais se encontram entre nós, de lugares que ficaram pra trás: eles não estão mais entre nós, não podemos tocá-los, não podemos transformá-los, estão a salvo de nossa capacidade de intervenção e por isso se tornam mais belos e plenos, porque não há como serem diferentes do que são. Além disso, não carregam consigo a expectativa do que virão a ser, pois já foram, enquanto nós ainda somos e seremos, e só nos conhecemos como uma promessa de algo que pode se realizar no futuro. As lembranças não. E, enquanto já são o que devem ser, podem ser admiradas em sua plenitude.
Eu consigo entender a saudade que sentimos da família, dos amigos; das épocas em que nos acreditávamos mais felizes; dos amores que idealizamos, realizamos e vemos chegarem ao fim; mas estranho mesmo é sentir saudade de algo que não se viveu...
Fugindo às regras da lógica, que nos diz que não podemos sentir saudades de algo que não vivemos anteriormente: eu me sinto nostálgica diante de filmes, músicas e livros, quando estes me colocam em contato com algo que não vivi, mas que pulsa dentro de mim, reclamando retorno; como se eu não pertencesse a este mundo, a este tempo; como se algo me dissesse que existe um lugar, que existe uma época que pode me acolher.
Inadequação, estranhamento, não pertencimento. Talvez este seja o nome que posso dar a esta saudade do não vivido. Talvez seja o desejo que pertencer, de me adequar; ou simplesmente a constatação de que não é possível tal adequação.
O que antes achava que era, não é mais, mas de longe parece que ainda é...
E o que é agora, no agora, me parece estranho, mas quando olhado de longe, me parece melhor do que o que tenho por perto...
Existem pessoas que encontram um lugar pra chamar de seu, que conseguem se adaptar, se reconhecerem, ou simplesmente ter a falsa sensação de reconhecimento; outras não pensam sobre; mas algumas procuram a vida toda... em vão...
Renata Gabriel. 25 de julho 2010.
Link: http://renatagabriel-nate.blogspot.com/2010/07/nostalgia.html


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