TIBET E A OLIMPÍADA
Por DUARTE PEREIRA 13/04/2008 às 16:03
É curioso que se invoquem "direitos humanos" para defender essa restauração, pois nada mais distante de direitos humanos universais do que o regime teocrático tibetano, dominado pela aliança entre a camada superior dos monges lamaístas e a nobreza latifundiária, baseado na servidão agrícola e na escravidão doméstica, e vigente no Tibete até a reforma democrática de 1959.
Duarte Pereira * Alertado por um companheiro e amigo, verifiquei que o site de Fausto Wolf (www.olobo.net) reproduziu, no domingo passado, um artigo que escrevi em 1999 sobre a história do Tibete e de suas relações com a China, publicado originalmente na revista mensal alternativa "Caros Amigos" ( clique AQUI para ler íntegra do artigo citado)e depois transcrito em algumas publicações e sites progressistas. Dei-me conta, assim, de que o artigo, embora escrito há algum tempo, ainda é útil para leitores interessados em compreender criticamente a polêmica sobre o Tibete e que são bombardeados por versões facciosas e deformadoras, originadas do esforço de propaganda dos separatistas tibetanos e de seus aliados ocidentais. Essas versões afirmam, por exemplo, que o Tibete era um país independente até ser invadido pelo Exército Popular de Libertação da China, comandado pelo Partido Comunista, o que não é verdade. O Tibete faz parte da China há setecentos anos, o que é reconhecido por todos os países. Essas versões alegam também que o Dalai-Lama e seus aliados querem apenas a "autonomia" do Tibete e a preservação de sua cultura e de sua liberdade religiosa. Ora, o Tibete já é uma das regiões autônomas da República Popular da China, presidida por um civil de etnia tibetana. A liberdade religiosa é garantida ao budismo lamaísta e às demais religiões, desde que observados os limites estabelecidos em lei e que se destinam a preservar a unidade e a soberania da China, no passado bastante corroídas por missionários ocidentais e por monges e nobres tibetanos separatistas. Quanto ao Dalai-Lama, não é apenas um líder religioso, como muitas pessoas ingênuas imaginam, mas também um líder político, e o que ele e seus adeptos e aliados pretendem não é a alegada "autonomia" do Tibete, mas a restauração do regime teocrático e absolutista encabeçado por ele. É curioso que se invoquem "direitos humanos" para defender essa restauração, pois nada mais distante de direitos humanos universais do que o regime teocrático tibetano, dominado pela aliança entre a camada superior dos monges lamaístas e a nobreza latifundiária, baseado na servidão agrícola e na escravidão doméstica, e vigente no Tibete até a reforma democrática de 1959. Foi a insistência do governo central da República Popular da China nessa reforma que levou à resistência e à fuga do Dalai-Lama e da elite religiosa e nobre que o cerca até hoje. É revelador também que as grandes potências capitalistas, a mídia ocidental e os setores sociais mobilizados por ela e pelas comunidades budistas tibetanas espalhadas no mundo mostrem tanto interesse pela "autonomia" e "independência" do Tibete, mas não reclamem a devolução de Guantánamo a Cuba; ou a independência de Porto Rico e do Haiti, ocupados durante a guerra que os Estados Unidos moveram contra a Espanha; ou a devolução do Panamá à Colômbia; ou ainda a devolução dos imensos territórios que os Estados Unidos arrancaram do México. Por que a Inglaterra não reconhece a unificação da Irlanda ou a independência da Escócia e do País de Gales, países cuja anexação deram origem ao Reino Unido da Grã-Bretanha? Por que a França insiste em manter territórios coloniais, como a Guiana francesa, visitada recentemente pelos presidentes Sarkozy da França e Lula do Brasil? Se se quer redesenhar o mapa do mundo de acordo com as fronteiras de séculos atrás, por que não se reabre a discussão sobre a região basca, dividida entre a França e a Espanha? Ou, mais grave ainda, por que até hoje não foi criado um Estado Palestino soberano e viável, na região que devia ser partilhada entre ele e o Estado de Israel de acordo com resolução das Nações Unidas de 1948? A verdade é que se procura desagregar e enfraquecer apenas os países multinacionais que se opõem ao sistema capitalista-imperialista ocidental, hegemonizado pelos Estados Unidos, como já ocorreu com a União Soviética e com a Iugoslávia e se continua tentando contra a China. Procura-se, agora, aproveitar a aproximação da Olimpíada para reavivar as contradições entre as nacionalidades que integram a China e desgastar a potência que reemerge na Ásia e preocupa os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a França e seus aliados. Na atmosfera envenenada pelas demonstrações antichinesas das últimas semanas e pela cobertura distorcida da mídia do grande capital, o artigo que pesquisei e redigi, há algum tempo atrás, pode ser útil, como evidenciou a iniciativa de Fausto Wolf, a quem registro meu agradecimento. Por isso, decidi repassá-lo para @s amig@s, agradecendo se repassarem a outr@s amig@s interessad@s no tema, ou se inserirem o texto em sites e blogs progressistas. Peço somente que a transcrição seja feita na íntegra e que sejam mantidas as referências à autoria e à fonte original de publicação, a "Caros Amigos". É uma demonstração mínima de solidariedade antiimperialista ao povo chinês, inclusive à etnia tibetana que o integra, ao lado das demais etnias. * Duarte Pereira é escritor e jornalista ( duarte.pereira@uol.com.br) http://blogdobourdoukan.blogspot.com/
Por DUARTE PEREIRA 13/04/2008 às 16:03
É curioso que se invoquem "direitos humanos" para defender essa restauração, pois nada mais distante de direitos humanos universais do que o regime teocrático tibetano, dominado pela aliança entre a camada superior dos monges lamaístas e a nobreza latifundiária, baseado na servidão agrícola e na escravidão doméstica, e vigente no Tibete até a reforma democrática de 1959.
Duarte Pereira * Alertado por um companheiro e amigo, verifiquei que o site de Fausto Wolf (www.olobo.net) reproduziu, no domingo passado, um artigo que escrevi em 1999 sobre a história do Tibete e de suas relações com a China, publicado originalmente na revista mensal alternativa "Caros Amigos" ( clique AQUI para ler íntegra do artigo citado)e depois transcrito em algumas publicações e sites progressistas. Dei-me conta, assim, de que o artigo, embora escrito há algum tempo, ainda é útil para leitores interessados em compreender criticamente a polêmica sobre o Tibete e que são bombardeados por versões facciosas e deformadoras, originadas do esforço de propaganda dos separatistas tibetanos e de seus aliados ocidentais. Essas versões afirmam, por exemplo, que o Tibete era um país independente até ser invadido pelo Exército Popular de Libertação da China, comandado pelo Partido Comunista, o que não é verdade. O Tibete faz parte da China há setecentos anos, o que é reconhecido por todos os países. Essas versões alegam também que o Dalai-Lama e seus aliados querem apenas a "autonomia" do Tibete e a preservação de sua cultura e de sua liberdade religiosa. Ora, o Tibete já é uma das regiões autônomas da República Popular da China, presidida por um civil de etnia tibetana. A liberdade religiosa é garantida ao budismo lamaísta e às demais religiões, desde que observados os limites estabelecidos em lei e que se destinam a preservar a unidade e a soberania da China, no passado bastante corroídas por missionários ocidentais e por monges e nobres tibetanos separatistas. Quanto ao Dalai-Lama, não é apenas um líder religioso, como muitas pessoas ingênuas imaginam, mas também um líder político, e o que ele e seus adeptos e aliados pretendem não é a alegada "autonomia" do Tibete, mas a restauração do regime teocrático e absolutista encabeçado por ele. É curioso que se invoquem "direitos humanos" para defender essa restauração, pois nada mais distante de direitos humanos universais do que o regime teocrático tibetano, dominado pela aliança entre a camada superior dos monges lamaístas e a nobreza latifundiária, baseado na servidão agrícola e na escravidão doméstica, e vigente no Tibete até a reforma democrática de 1959. Foi a insistência do governo central da República Popular da China nessa reforma que levou à resistência e à fuga do Dalai-Lama e da elite religiosa e nobre que o cerca até hoje. É revelador também que as grandes potências capitalistas, a mídia ocidental e os setores sociais mobilizados por ela e pelas comunidades budistas tibetanas espalhadas no mundo mostrem tanto interesse pela "autonomia" e "independência" do Tibete, mas não reclamem a devolução de Guantánamo a Cuba; ou a independência de Porto Rico e do Haiti, ocupados durante a guerra que os Estados Unidos moveram contra a Espanha; ou a devolução do Panamá à Colômbia; ou ainda a devolução dos imensos territórios que os Estados Unidos arrancaram do México. Por que a Inglaterra não reconhece a unificação da Irlanda ou a independência da Escócia e do País de Gales, países cuja anexação deram origem ao Reino Unido da Grã-Bretanha? Por que a França insiste em manter territórios coloniais, como a Guiana francesa, visitada recentemente pelos presidentes Sarkozy da França e Lula do Brasil? Se se quer redesenhar o mapa do mundo de acordo com as fronteiras de séculos atrás, por que não se reabre a discussão sobre a região basca, dividida entre a França e a Espanha? Ou, mais grave ainda, por que até hoje não foi criado um Estado Palestino soberano e viável, na região que devia ser partilhada entre ele e o Estado de Israel de acordo com resolução das Nações Unidas de 1948? A verdade é que se procura desagregar e enfraquecer apenas os países multinacionais que se opõem ao sistema capitalista-imperialista ocidental, hegemonizado pelos Estados Unidos, como já ocorreu com a União Soviética e com a Iugoslávia e se continua tentando contra a China. Procura-se, agora, aproveitar a aproximação da Olimpíada para reavivar as contradições entre as nacionalidades que integram a China e desgastar a potência que reemerge na Ásia e preocupa os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a França e seus aliados. Na atmosfera envenenada pelas demonstrações antichinesas das últimas semanas e pela cobertura distorcida da mídia do grande capital, o artigo que pesquisei e redigi, há algum tempo atrás, pode ser útil, como evidenciou a iniciativa de Fausto Wolf, a quem registro meu agradecimento. Por isso, decidi repassá-lo para @s amig@s, agradecendo se repassarem a outr@s amig@s interessad@s no tema, ou se inserirem o texto em sites e blogs progressistas. Peço somente que a transcrição seja feita na íntegra e que sejam mantidas as referências à autoria e à fonte original de publicação, a "Caros Amigos". É uma demonstração mínima de solidariedade antiimperialista ao povo chinês, inclusive à etnia tibetana que o integra, ao lado das demais etnias. * Duarte Pereira é escritor e jornalista ( duarte.pereira@uol.com.br) http://blogdobourdoukan.blogspot.com/


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